Por que a longa e trabalhosa configuração do Linux Mint 17.3 Cinnamon

Menu do Linux Mint Cinnamon: — Primeiro grande atrativo, desde vários anos antes

Sim, a pergunta do título é ambígua — e (soa) provocativa.

O otimista entenderá “Por que configurar o Linux Mint 17.3 Cinnamon é tão difícil, complicado e toma tanto tempo e trabalho”.

O carrancudo entenderá “Para quê ‘gastar’ tanto tempo com uma tranqueira tão enrolada”.

Eu me pergunto as duas coisas, — mas mal consigo “me obrigar” a voltar ao Kubuntu, alguns minutos por dia (quando mais não seja, porque é lá que está o comando de backup geral de cada dia).

Fato é que, dia após dia, continuo arrancando os (últimos) cabelos, e trabalhando normalmente, — maravilhado, — no Linux Mint, praticamente do começo ao fim do dia.

Portanto, consigo entender perfeitamente o entusiasmo que ele desperta.

A toda hora leio postagens e comentários afirmando que o Linux Mint é “a melhor distribuição Linux!”, — principalmente agora, que visito grupos e comunidades Mint, como nunca antes, — e me sinto cada vez mais tentado a “curtir” esses brados de fãs.

Claro! Se o Mint Cinnamon não me fascinasse, não o teria escolhido, — faz poucos dias, — para instalá-lo “definitivamente”, como 2º sistema Linux do computador que uso para trabalhar, me informar, pesquisar, me comunicar etc.

Tratando-se de equipamento tão fundamental, — que não pode empacar nem fazer birra, — e encarando o “2º sistema Linux” como “margem de segurança”, a escolha do Linux Mint 17.3 Cinnamon (após algumas comparações) já indica confiança.

O que dizer, então, do enorme trabalho e do tempo investido em sua configuração, — leia-se: “dificuldades sem fim”, — conforme vai ficando cada vez mais evidente, à medida em que se multiplicam aqui as postagens sobre o “caminho das pedras” para solucionar dúzias de “problemas”?

É o que várias vezes já me perguntei, nessas 3 semanas.

Andar é fácil, porque já teimamos, até aprender


O primeiro motivo é que o grau de “dificuldade” não reside (só) na “distribuição”, — mas, em grande parte, no tempo que ainda não investi nela.

Alguns anos atrás, o caminho de migração para o Linux, — sem prejudicar o trabalho diário, — foi muito mais espinhoso. Não só não conhecia nada, como as próprias “distros” estavam longe de ser fáceis de lidar.

Comecei pelo Kurumin, — com o fantástico suporte do Guia do Hardware, — que infelizmente acabou cedo demais, obrigando, depois de pouco tempo, a uma migração precipitada (para quem estava só engatinhando).

Após quebrar a cabeça em meia dúzia de alternativas (muito mal escolhidas, às cegas), acabei me fixando no Kubuntu, — talvez por parecer mais “familiar”, mais fácil de entender, mais configurável etc. Por consequência, foi nele que concentrei o esforço de configurar, solucionar problemas, e acabei aprendendo o feijão-com-arroz.

Logo comecei a reservar espaço (e algum tempo) para sempre instalar um “segundo” Linux mas, — perante a urgência de configurar e tornar “usável” o Kubuntu, — acabavam sendo experiências superficiais, pulando de uma “distro” para outra, sem chegar a enfrentar ou aprender grandes coisas.

Em anos mais recentes, investi um pouco mais no “segundo Linux”, — já então reduzido a duas opções principais: ou Debian, ou Mint, — mas ainda sem investir tanto tempo e esforço em um, nem no outro.

Usei o Debian 6.0.4 por 1 ano inteiro (2012-2014), — até concluir que não era uma alternativa cômoda, nem segura (no meu caso), na eventualidade de falha do sistema “principal” (Kubuntu).

Também usei o Linux Mint 2011.04 Xfce como sistema “alternativo” por 11 meses (2011-2012); depois o Mint 16 Cinnamon por 5 meses (2014); e o Mint 17.2 Cinnamon por 6 meses (2014-2015).

O Cinnamon foi o que deixou boa lembrança, — e só foi substituído (temporariamente), por precisar do espaço para instalar um segundo Kubuntu, — i386, para comparação com o amd64, — nos últimos 10 meses.

Terminada a comparação, não vi motivo para manter 2 sistemas Kubuntu, — nem para voltar ao Debian (por enquanto).

Existe método na loucura


O segundo motivo para já estar há 3 semanas investindo, — entusiasticamente, — em deixar o Linux Mint 17.3 Cinnamon 100% configurado e personalizado é o firme propósito de não embarcar em soluções “fáceis”, imediatistas.

Não me refiro (só) aos “gatos & gatilhos” mais gritantes e escandalosos, — capazes deixar aberta ao eventual visitante a possibilidade de escangalhar o sistema, ou mesmo apenas desconfigurar alguma coisa boba, — mas a muitas outras inconsistências mais sutis, que minha ignorância não alcança antecipar.

Lembro apenas vagamente, — até 2006 não tinha um caderno para centralizar e preservar anotações, — de editar “/etc/fstab” (ou usar algum utilitário) para “montar” automaticamente as partições do Windows; e tempos depois, descobrir que tinha feito isso do modo menos aconselhável que (não) poderia imaginar.

Afora inúmeras “mexidas” (não anotadas!), por toda parte, que às vezes não resolviam nada (e não conseguia desfazer). Outras vezes, prejudicavam, — como vim a perceber muito depois, quando já nem lembrava.

A “solução final”, — comum entre colegas usuários do Windows na época, — era “zerar” (“os erros do passado”, como na canção?), ou seja, formatar o disco e reinstalar “do zero”.

Mas isso, quando o Linux ainda não era mais do que uma “esperança de uso” — a ser alcançada quando conseguisse entender e “dominar” o bastante para substituir o Windows. — Então, “começar de novo” não afetava mais do que um (mau) aprendizado paralelo. Reinstalar o Linux era até uma diversão a mais: um aprendizado extra. Uma “nova oportunidade”, de não repetir burrices elementares.

À medida em que comecei a trabalhar de fato no Kubuntu, mostrou-se mais importante manter a integridade da instalação, evitar “mexidas” a esmo, do que “ter de” reinstalar (quantas vezes?) sem motivo que valesse o percalço.

É preferível conviver mais algum tempo com alguma “dificuldade”, — e pesquisar, ler, estudar, — até saber (mesmo que pouco) o que se está fazendo.

• Tudo dá trabalho


O novo Kubuntu 16.04 LTS, instalado em 24 Abr. 2016, deflagrou um novo ciclo de configurações, ajustes e solução de problemas, — não está sendo tão simples quanto a migração do 12.04 para o 14.04, — e isso veio “nivelar”, de certo modo, aquela falsa impressão de que o Linux Mint Cinnamon pudesse parecer “mais complicado”.

Não é. — Na verdade, agora tenho um motivo a mais para usar o Linux Mint Cinnamon dia-sim-dia-não. — Voltar ao Mint, após um dia no novo Kubuntu 16.04 LTS, é quase um alívio.

Porém, por teimosia e “disciplina”, é claro que vou manter a alternância de uso dos 2 sistemas (“principal” e “alternativo”), pois a recente experiência de ter 2 Kubuntu (64bit e 32bit), — configurados até ficarem tão “iguais”, que precisava de wallpapers diferentes, para distinguir em qual deles estava, — ensinou algumas coisas importantes:

1) Se não configurar totalmente o sistema “alternativo”, e não usá-lo dia-sim-dia-não, ele não estará 100% pronto para substituir o sistema “principal”, no caso de surgir alguma emergência.

2) Sem isso, você jamais terá uma visão correta do sistema “alternativo”, — seja ele Linux Mint, Debian, ou qualquer outro. — Nem terá, tampouco, uma noção completa do sistema “principal”.

Olhando sob essa luz, percebo que não adquiri uma visão verdadeira do Debian, — apesar de tê-lo usado em 3 épocas como sistema “alternativo”, em rodízio com o Linux Mint. — E me impaciento pelo dia em que possa me livrar do Windows (ou comprar HDs maiores), para voltar a instalar o Debian, sem abrir mão do Mint.

• Importante


Muitas das configurações e/ou soluções de problemas ainda não foram relatadas aqui no Byteria, — e isto se refere tanto ao Linux Mint 17.3 Cinnamon (instalado em 18 Jan. 2016), quanto ao Kubuntu 14.04 LTS (2014-2016), e ao Kubuntu 16.04 LTS (24 Abr. 2016).

Além disso, muitas configurações, ajustes etc. prolongam-se por semanas, meses, anos, como se pode ver no histórico de instalação / desinstalação de pacotes no Kubuntu 14.04 entre 2014 e 2016; e no quadro de pacotes existentes nele ao ser substituído pelo Xenial (24 Abr. 2016):


Enfim, procuro “equalizar” os sistemas “principal” e “alternativo”, — tanto aplicando no recém-instalado configurações já em uso no outro, como também vice-versa, ao “descobrir” algo mais interessante no novo sistema.

Portanto, muitas configurações e ajustes não representam “problema”, no sentido real da palavra, — exceto na medida em que aplicar uma configuração de um sistema no outro apresente dificuldades, e vice-versa.

Lembrando que muitos os hábitos de trabalho, — aos quais procuro ajustar as configurações (quando possível), — datam do Windows XP, do Windows 2000, e até de mais longe, do DR-DOS 6 ou ainda do MS-DOS 3.3 (XTree, por exemplo).

Naturalmente, esses hábitos e rotinas de trabalho passaram por tantas mudanças e acomodações, ao longo dos anos, — já perdi a conta das ótimas coisas que desapareceram na “evolução” seguinte, — que pode dar a impressão de serem hábitos só do último Windows.

Por hábitos e rotinas de trabalho, não imagine (apenas) “manias” ou “idiossincrasias”, — mas, também, um acervo de trabalho acumulado na forma de arquivos digitais, ao longo de 30 anos, e que deve permanecer utilizável, quando necessário.

••• Epílogo


Dados Exif completos: — uma ótima característica do Linux Mint 17.3 KDE, — perdida a seguir

Um teste Live USB com o Linux Mint 17.3 KDE, — enquanto aguardava a versão KDE do 18 (Sarah), — deixou claro que:

a) A maior parte das “dificuldades”, — ou “aprendizado”, — deveu-se ao desconhecimento inicial do ambiente Cinnamon. — E isto só não foi mais óbvio porque, durante vários anos, havia testado apenas as versões Xfce, MATE e Cinnamon.

b) Era totalmente infundado, o receio de que o Linux Mint, — por ter no Cinnamon seu ambiente “natural”, — não combinasse tão bem com o KDE.

A experiência, — mesmo em Live USB, — foi tão positiva, que não hesitei em instalar o Linux Mint 18 KDE Beta, tão logo foi liberado.

Este, por sua vez, mostrou-se tão funcional e estável, que já se passaram 100 dias, — e nunca senti necessidade de substituir pela versão final (“reinstalar”).

Comparativo dos sistemas Linux instalados em 20 Dez. 2016

Em 30 Nov. 2016, a situação, — de um ponto de vista pessoal e particular, — é a seguinte:

Kubuntu 16.04 LTS - Segue 100% confiável (apesar de alguns crashes), confirmando a escolha feita em 2009, para substituir o Kurumin. — Atende 100% das exigências de trabalho, tais como:

  • Trabalhar com Google Earth — sem placa aceleradora 3D
  • Trabalhar com antiquíssimas versões do CorelDraw, MS Word, Wordpad e Macromedia Dreamweaver (via Wine), para reaproveitamento do acervo de trabalhos acumulados desde a década de 1990
  • Navegar em “páginas” do Facebook e re-compartilhar suas postagens
  • e muitos outros aplicativos, — que também funcionam nos demais sistemas, com pequenas lacunas em um ou em outro

Linux Mint 18 KDE (ex-Beta) - Segue 100% confiável e estável, — atendendo às mesmas exigências que o Kubuntu 16.04 LTS (acima), — e até com algumas vantagens.

KDE Neon User Edition - Atende à maior parte das mesmas exigências de trabalho, — exceto que ainda não foi obtido o funcionamento do CorelDraw, Macromedia Dreamweaver etc.

Debian testing (não “Stretch”) - Atende à maior parte das exigências de trabalho, — porém, não enfrenta bem os obstáculos colocados pelo Facebook para “incentivar” as “páginas” a pagarem para obter “alcance” na rede social, — e também ainda não foi obtido o funcionamento do Google Earth, nem do CorelDraw, Dreamweaver etc.

Kubuntu 17.04 Zesty Zapus (development branch) - Também não consegue enfrentar os obstáculos colocados pelo Facebook. — Ainda não foi tentado seriamente instalar / rodar Google Earth, CorelDraw, Dreamweaver etc.

Abrindo a Home do Kubuntu como Root, no Linux Mint, para “intervenção cirúrgica

Portanto, o Linux Mint 18 KDE ombreia com o Kubuntu 16.04 LTS, — quando não o supera, — e muitas vezes ajuda a resolver pequenos problemas nele.

Um de seus pontos altos é sua “política de kernel”, — pouco evidente, até este ano, — de que, “se funciona, não conserte”.

Na qualidade (e insegurança) de “leigo” no assunto, o Kubuntu e o Linux Mint, — em conjunto, — dão tranquilidade  de poder trabalhar (e resolver problemas), em alguma eventualidade.

Os outros três sistemas Linux, — sempre dentro da “família Debian”, — permitem acompanhar as “novidades” que virão pela frente, quando for lançado outro “LTS”, em 2018, — sem ser pego de surpresa e ficar meio perdido, como aconteceu com o Kubuntu 14.04, com o Kubuntu 12.04 etc. — Ser “leigo” é profissão de risco.

No entanto, — quando desnecessários recursos que ainda não funcionam neles, — atendem na maioria das demais exigências:

  • Gimp, Xsane, OCRFeeder, gImageReader, ScreenRuler
  • Chromium, LibreOffice, Dolphin (pesquisa, redação de textos, blog)
  • KStars, Stellarium
  • Konqueror → Montar / navegar imagens ISO, converter PNG → JPG, Busca avançada
  • Krusader, Diffuse etc.
  • pyRenamer, KRename
  • Gerenciamento de partições

Além disso, segue a esperança de aprender mais sobre o Debian, — e “ver” melhor as diferenças introduzidas pela Canonical, — para evitar cair em nova dependência, após o esforço para sair das mãos da Microsoft.

Algumas mudanças de rumo, fusões falências etc., — DR-DOS, dBase, Xerox Ventura Publisher, Macromedia, — ao longo do tempo, levam até mesmo um “leigo”, sucessivas vezes escaldado, a se precaver de água fria.

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Esta “página fixa” — coisa cuja data e hora o Blogger não registra — foi publicada cerca de 3 semanas após a instalação do Linux Mint 17.3 Cinnamon, portanto,  mais ou menos 21 dias após 18 Jan. 2016, o que daria por volta de 8 Fev. 2016.
17 Mai. 2016 - Desde então, esta “página fixa” já foi ampliada várias vezes, à medida em que vão sendo revisadas e publicadas as anotações do “pós-instalação”, — e continuo incapaz de me afastar do Linux Mint por mais de 24 horas, para dar uma chance ao novo Kubuntu 16.04 LTS.
••• 30 Nov. 2016 - O “Epílogo” praticamente encerra a questão.

— … • … —

Linux Mint



Testes de trabalho em “Live USB”


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